Infelizmente (ou não) ando fazendo pausas. Não só aqui, mas em tudo. E pausas não me incomodam, nunca me incomodaram. Não fico exasperada em silenciar um pouco, ou ainda em passar um tempo sem registrar nada aqui. Às vezes, acho até bom. Nem sempre, confesso.
Não sei. Mas percebo que tem sido algo abrangente. Meu ritmo está pequeno. Muito mesmo. Lento. Nem sempre calmo, mas asseguro que anda em passos curtos e pensativos. E para tanta morosidade, encontro impaciência. Um paradoxo. Descobri que eu sou cheia deles. Controvérsias, contradições e quantos mais outros termos similares existirem por aí. Que fique claro, não se trata de tédio. Desacelerei um pouco, apenas.
Eu só gostaria de um pouco de controle. É confortável saber o que vai suceder na cena seguinte. O elemento surpresa ficando de fora. Claro que existem as boas surpresas, mas pensando bem, ultimamente ando preferindo a ausência delas. Sendo surpresas, nunca se sabe. Podem não ser tão boas assim. Bom, não recomendo isso a ninguém, claro. Nem a mim mesma num estado permanente, mas todo mundo tem suas fases. E a minha atual não anda muito, digamos, carente de surpresas. Sejam alegres ou não. Ando fugindo do inesperado. Acho que ando meio indiferente a certas coisas...
Estou precisando enxergar bem as coisas. Compreendê-las sem o auxílio de nuvens ou mistérios. Eles - os mistérios - têm seu charme, não posso negar. Mas agora não me estimulam muito. Por hora, prefiro descansar deles. Gostaria de coisas que só remetessem à transparência, como, que a claridade sempre estivesse presente no meu dia, mesmo anoitecendo, ou me deparar apenas com palavras objetivas e sem significados ocultos, ou ainda, esquivar-me de atitudes enigmáticas demais. E levando ao extremo, muito me agradaria, a ideia de que conheço cada acontecimento do meu dia antecipadamente, de que sei com riqueza de detalhes o que vai se passar desde a hora em que acordo até a hora de cerrar os olhos em busca do próximo dia.
Mas eu bem sei que é um pensamento ingênuo, esse. Ninguém sabe como será o próximo segundo (se é que "será"). Mesmo assim, descobri que ando propensa a coisas do tipo silêncios e pausas. Mais do que gostaria. A minha quietude, no entanto, anda meio desalinhada(?!). Não consigo impedir que ela seja temperada com uma pitadinha que seja, da boa e velha ansiedade. Mas definitivamente, não é um período propenso a mudanças. Acho que ando cultuando um pouco de letargia, até...
E nem sei se é certo ou errado. É o que acontece no momento, apenas. Não pretendo transformar essa desaceleração num estilo de vida, mas acho que estou meio que "hibernando" emocionalmente. E as razões são muitas e as mesmas - se é que é possível - mas já avisei que sofro de agudas contradições... E às vezes tudo soa meio redundante também. Felizmente, não é sempre... é só de vez ou quando. Como agora, por exemplo...
_______________________*Tirinha retirada do site Bichinhos de Jardim*