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quarta-feira, 11 de junho de 2014

A minha epifania

As coisas mudam. E podem ser pra melhor ou pra pior. No meu caso, foram pra melhor, ainda bem, né?
De repente me dei conta do quão limitadas eram minhas expectativas na vida, em mim e em tudo o mais.
De repente, a minha percepção transformou-se em algo superiormente analítico. Minucioso.
Sei, contudo, que tudo isso ainda é muito pouco diante do que está por vir. Ao mesmo tempo em que isso me assusta, também me impulsiona a não ser leviana com nenhum detalhe, ainda que me pareça pouco significativo no momento. 
Percebi a monocromia do meu panorama anterior tão claramente que me pareceu até absurdo que antes não houvesse compreendido as dissonâncias presentes. Agora não mais. É palpável a diferença. 
Não vejo como antes, não sinto como antes, não vivo como antes. 
É bem verdade, que os meus mestres nesse aprendizado, são repletos de ternura e charme, o que torna tudo mais interessante do que já seria por si só.
E agora é a hora mais oportuna de usar o bom e velho clichê que diz que “ser mãe é uma dádiva”.
A grande surpresa é que apesar de saturado e de ter caído na vulgaridade das mais diversas citações, esse dito é absolutamente verdade para mim. É uma dádiva de Deus. É um acontecimento que nem nas minhas melhores expectativas, eu imaginaria ser tão abundantemente perfeito. 
Espero sinceramente conseguir orientar cada um dos meus pequenos de forma correta, sábia e equilibrada. 
E a grande verdade é que sem isso, eu era muito pouco ou quase nada. A minha epifania mais completa foi ser mãe.
Ps.: Na verdade, escrevi isso em 14 de maio e não por acaso na véspera do aniversário de Gui. Observei, contudo, que o texto anterior teve como inspiração o aniversário de Daniel. Irremediavelmente, minhas maiores inspirações agora.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Maternidade: uma transformação

Antes:

A casa estava sempre organizada, tudo em seu devido lugar.
Minhas tarefas domésticas e profissionais em dia. Nunca precisei de nenhuma "ajudante". 
Minhas roupas sempre organizadas.
Silêncio era comum. Tempo livre também, mas eu não sabia, achava tudo tão corrido. Mentira. Dava tempo de fazer tudo importante e desimportante também.
Raramente eu cozinhava. Qualquer comida dava certo. Uma tigela de ceral, uma papa de aveia também quebrava galho. Nunca fazia bolos.
Se eu quisesse - mas nunca quis - poderia dar vazão ao consumismo, porque eupodia ir ao shopping ou ao comércio quando bem quisesse.
Eu caminhava impreterivelmente todas as manhãs, bem cedo. Eu lia muita coisa. E via muitos filmes. Eu sou uma cinéfila consciente. 
Ficava fuçando na internet até tarde da noite. Atualizava meu blog com frequência e ainda era assídua nos alheios. Tinha amigos virtuais e tudo. 

Depois:

Mas e daí? Seriam essas coisas mais interessantes do que cuidar de pessoinhas lindas? Ensiná-las a viver literalmente? Escutar "mamãe" pela primeira vez não tem preço. Apagam-se da memória todas as noites insones lá do começo. Receber plena e total confiança dessa pessoinha. Ela não tem medo de nada estando no colo dos pais, ou pelo menos não deveria.
Sabe, naquele "antes" eu achava que umas palmadas era uma coisa boa, não fariam mal, hoje não mais. Imagine você depositar toda a sua confiança em alguém e esse alguém usar de violência com você. É no mínimo decepcionante. Eu não bato neles. E não me sinto bem depois de perder o controle e levantar a voz pra eles, também. Imagine se eu batesse. Deus me livre. Não quero. Exige mais trabalho, mas para mim, compensa.
Acho interessante que se fala tanto em violência, até mesmo contra a mulher. Agora, bater numa criança muito mais indefesa do que um adulto não é considerado violência, né? A menos que seja espancamento, mas aí é outra coisa. É caso de polícia. 
Eu acho que pessoas que batem nos filhos são preguiçosas e descontroladas. Sempre que batem é porque perderam o controle, as rédeas da situação. E eu não digo que é fácil manter o controle, é difícil, mas é possível. Um castigo aqui, outro ali, também é eficaz.
Uma outra coisa que venho aprendendo é que não é bom repreendê-los na presença de outros. Eles se sentem envergonhados. Não é bom. Melhor chamar num cantinho e fazer o sermão. 
É como dizem por aí: educar é um trabalho de formiguinha.
Bom, mas à lista do "depois" segue-se, decorar todas as músicas da Galinha Pintadinha, Patati e Patatá, não, acho meio sem graça e com pouco "aproveitamento", enfim, não gosto. E por enquanto, ainda sou em quem decide isso, né? Então, aproveito.
Saber todos os personagens do Discovery Kids e suas estórias. Esquecer os saltos quando sair de casa - na verdade, esse item não me afetou muito. Não uso salto, só se for plataforma e anabela e olhe lá... mas essa é outra história.
Bolsas pequenas, esqueça. Têm que ser grandes para caber água, lanches e todo aquele aparato das fraldas, né? 
Fazer compras despreocupadamente - incluindo feira - pode riscar da lista também. Eles se estressam rápido, principalmente em lugares onde tudo é "proibido": não mexa, não se afaste, não toque, não grite, não pule etc e talz. Eles detestam. Uma boa dica é levar alguma coisa para distraí-los, um brinquedo, por exemplo (desde que não se confunda com os itens da loja em questão).
Atualizar minha leitura e blogs só consegui mesmo depois de algum tempo, um ano mais ou menos. No início, a gente se assusta um pouco com a mudança radical, mas depois compreende que é só uma fase. Compreende que eles não vão ser aquelas bolinhas de dar beijos pra sempre e isso apagou todo o resto para mim. A maternidade realmente foi a melhor coisa que já me aconteceu até hoje. Pode ter certeza.



Tempo, tempo

O tempo sempre é um remédio eficaz, o que não significa efetivamente, bom, mas quase sempre resolve. Ameniza as dores e lembranças indesculpavelmente tristes ou desagradáveis. Acalma um coração enfurecido, desanuvia a vista. A despeito disso tudo, infelizmente, custa. Demora e nem sempre a gente percebe. O tempo é como uma faca de dois gumes, porém não se pode levianamente esquecer que cada gume tem muitas outras facetas que se desdobram sutilmente. O problema é que eu sempre esqueço.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A vida me enganou

É. Fico impressionada como fui enganada de forma tão atroz e surpreendentemente simplória. As pessoas que eu achava perfeitas, além de imperfeitas são corruptíveis também. Aliás como todos nós. E essas mesmas pessoas me aguentaram por 25 anos debaixo do teto delas e foram também elas quem me trouxeram ao mundo.
As outras pessoas não eram tão boazinhas como eu pensava e também não pensavam tão bem de mim como eu supunha. Grande parte dos meus heróis morreram mesmo de overdose ou de Aids. Um triste fim, mas não acredito em fins alegres. Então de todo modo, é sempre triste a morte. Sempre deixa saudades, incertezas e sempre ameniza a visão que se tem daquele que partiu. 
Passar no vestibular não me trouxe nenhuma garantia superior. Isso foi apenas um começo de um árduo caminho que se não for trilhado com força e vontade, não leva a lugar nenhum, como um giro de 360 graus, se é que me entendem.
Grande parte das coisas que eu achava terríveis não eram tão terríveis assim, bem como, algumas das que eu achava maravilhosas e incomparáveis, não eram tão encantadoras assim.
Mas numa coisa em especial, eu sou grata à vida e a Deus: a maternidade. Para mim, foi o que de melhor aconteceu pra mim e é como se eu tivesse aparecido cá nesse mundo só para isso. Pena que eu adiei tanto. Ainda dá vontade de ter uma penca, o que me faz entender que a despeito do que muitos acham de mim, talvez eu não seja tão equilibrada assim, mas o barulhinho bom do riso deles e a sonoridade da palavra “mamãe” tantas vezes repetidas por eles, enche de alegria e força um coração que por tantas vezes já foi fragmentado e pisoteado. Filhos são sempre uma benção, alguém já disse e esta é uma sábia frase. Talvez concisa demais. Lacônica. Porém é compreensível. Não dá para explicar, cada um tem sua singularidade. Eles são a melhor forma de compreender essa vida tão cheia de surpresas nem sempre boas. É uma boa maneira de entender que apesar de ter sido tão enganada por ela, tudo valeu a pena. Os enganos certamente são parte de uma trama superior para aprimorar a existência das pessoas. Deve ser isso.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Cada um no seu quadrado

Hoje me deparei com a seguinte pergunta: como você trata pessoas que você sabe que não gostam de você? Bom, é uma pergunta interessante. Pessoas que falam pouco têm mais tempo de descobrir coisas e essa é uma delas, sendo assim, posso dizer que quase sempre percebo quando a pessoa não gosta de mim, falo pouco, sabe?
Mas nesse caso, sempre existem duas possibilidades: 1. as que fingem gostar; 2. as que não fingem. Obviamente, é no primeiro caso que há algum empecilho em descobrir, porque na segunda possibilidade eu não preciso especular.
E se eu noto que a pessoa não gosta de mim, em geral, eu finjo que não percebo. E os motivos para isso podem ser vários. Entre eles é o de não me importar muito com a opinião dela. Se é alguém a quem dou alguma importância, procuro "ir comendo pelas beiradas" até chegar nesse assunto e esclarecer enfim, o motivo do "desafeto".
Eu sou uma pessoa meio diferente dos "padrões", reconheço. Principalmente no que diz respeito à alta "receptividade" ou efusividade. Não compreendo como pessoas que acabaram de se conhecer podem ser tão abundantes em beijos e abraços. Acho duvidoso. 
Também não compreendo como podem compartilhar coisas - que deveriam ser íntimas - com quem acabaram de descobrir o nome. 
Pessoas excessivamente sorridentes e prestativas vejo com cautela. Eu acho que é "cada um no seu quadrado" até que venha alguma intimidade, o que a meu ver, só vem com o tempo. Tempo ao tempo. Educação é uma coisa, efusividade é outra. 
Minha mãe tem uma amiga que me rotulou de "educada demais" porque não pulei no pescoço dela antes de retrucar coisas do tipo "o prazer é meu". Na verdade, ela acha antipáticas todas aquelas pessoas que não se rendem aos exagerados e "calorosos" sorrisos e gracejos (muitas vezes, sem graça) que ela ostenta com a boca. E vale ressaltar que elas - a minha mãe e ela - já se desentenderam muitas vezes. O que eu tenho visto é gente assim é volátil. Os relacionamentos são sempre "intensos" e problemáticos. Imaturidade é o melhor define gente assim.
Eu comprovo isso a cada dia. Eu tenho amigas que estão na minha vida desde os meus quatro anos de idade e permanecem até hoje, como laços de sangue. Amizade é algo que se constroi lentamente. As coisas urgentes perdem muitos detalhes pelo caminho. A rapidez não favorece o aperfeiçoamento. É como diz o ditado: "a pressa é inimiga da perfeição" e por que com relacionamentos é diferente? Não acho.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Quem sabe um dia...

Em tempo de visita do Papa e talz - vale ressaltar que estou só um pouco atrasada sobre a notícia, né? Mas não importa. E nem é para falar nada a respeito dele, mas o jeito dele foi uma agradável surpresa tendo em vista que o Papa é pop sim e muito pop, mas sem os tiros à queima-roupa, prova de que os cidadãos são mesmo pacatos, mas enfim, o meu propósito é a religião, digo religiosidade. Sim, porque são duas coisas bem distintas (e como!).
Eu sou uma pessoa autenticamente cristã. Sou. E nada vai mudar isso, porém, tenho tido algumas decepções. E até aí tudo bem. Quem não se sente desapontado uma vez ou outra? Normal. Normalíssimo. O grande problema é quando isso deixa de ser exceção para se transformar na regra, no padrão.
E por falar em padrão... mas deixa isso pra depois, mais pro fim da coisa.
Bom, antes de mais nada não é minha intenção desviar ninguém do santo e reto caminho. Não. Eu só gostaria de exteriorizar alguns pensamentos.
Eu nasci católica, sim, porque se você soubesse da promessa da minha mãe acerca do meu nome... você diria que sim, a pessoa que aqui escreve já nasceu católica. Estudei a vida inteira em colégios de freiras, na verdade somente dois, sendo o segundo dos quatro aos dezesseis aninhos. Minha formação foi bastante católica sim. E em meio a alguns embates da vida, cheguei na igreja evangélica. Continuando sempre no cristianismo, graças a Deus (redundante isso, não?).
E lá fiquei por bons treze ou catorze anos, até que algumas outras dificuldades foram me deixando mais reservada do meio evangélico. E eu digo com toda propriedade que muita coisa a gente só percebe depois que se afasta um pouco. E francamente, algumas coisas me deixaram envergonhada. Nada demais, sabe? Mas são coisas (e agora voltemos aos padrões lá do começo) absolutamente ridículas e tudo para que se estabeleça um padrão e é aí que viramos pessoas estereotipadas e facilmente identificáveis.
Algumas denominações mais severas fazem isso até no modo de vestir dos fiéis. E eu já vi lojas que se intitulam como "moda evangélica"... ora, francamente, isso é patético. E isso não é ensinamento de Jesus nem nada. Isso é criação humana. Uma forma de conseguir controlar certos hábitos das pessoas para que não se "percam". Caramba. Isso me chocou.
E tudo começou quando eu fui ler (que sempre fui dada à leitura) um livro com o título de "Uma Mulher Segundo o Coração de Deus". Minha gente, a mulher descrita lá é uma completa idiota. Isso foi o primeiro estalo de muitos outros subsequentes a esse. No que tange à leitura, era tacitamente proibido ler outros livros. Alguns lêem (como eu lia), mas as pessoas torciam o nariz e diziam que era livro "do mundo" (quero deixar claro que não todas, mas grande parte fazia isso sim).
E músicas? Se não forem evangélicas são "do mundo" também ( e pensar que assim que "virei" evangélica exterminei uma coleção linda de Caetano Veloso e TUDO de Legião Urbana, além de um sem fim de coisas "não convertidas" me dá arrepios), aliás, devo dizer que tudo o mais é "do mundo".
Fora isso, os jargões usados repetitivamente e de forma absolutamente superficial. Faltou-me a paciência quando me dei conta disso. E como demorou. A Palavra de Deus enquanto Bíblia merece todo o meu respeito, o problema não é esse, o problema é o uso inadequado do seu conteúdo. Isso me entristece muito. Vulgarizou-se.
Por último, pois se eu for mesmo detalhar tudo, preciso criar uma série, tem a cara de pau de alguns evangélicos bastante expostos pela mídia, o que é um problema, pois aqueles expostos são a principal referência de cristão para os de fora da igreja evangélica e asseguro-vos de que existe muita gente boa, honesta e decente nesse meio e que é vítima de uma corja de gente que se destaca mais por ter carisma e dessa forma envergonha o verdadeiro evangelho de Cristo.
Eu acho que se a igreja evangélica revisse algumas dessas maluquices estereotipadas melhoraria bastante. A severidade exagerada das coisas acarreta em legalismo. Pra ser sincera,eu sinto falta de uma comunidade como a que eu tinha, já que na minha concepção a igreja da qual eu fazia parte ainda é a melhor dentre todas as outras no que diz respeito a acolhimento e solidariedade. Quem sabe um dia eu volto. Quem sabe...

PS.: Retirei a opção de comentar apenas pelo Google+. Obrigava quem não tinha uma conta a criar só para comentar aqui, o que não me pareceu muito democrático...rs O problema é que os comentários dos usuários do Google+ somem :( Então, minhas sinceras desulpas à Mariana e a Rafael.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

As coisas mudam...

É. Mudam mesmo. Aliás ultimamente ando mudando muita coisa, até de casa vou mudar (em breve). E por que não o nome do blog? Bom, eu comecei na vida blogueira já faz um tempinho e nem sequer lembro perfeitamente o ano, podes crer. Era no falecido Weblogger. Extinguiu-se e ficamos a ver navios. Então migrei pro Uol. Problemático deveras (adoro essa palavra, não me pergunte a razão). Ah, o nome do blog era Graphos. Dispunha-se inicialmente a uma coisa completamente diferente do que aconteceu depois. Ele evoluiu, digamos assim, por caminhos inesperados. O certo é que tomei gosto pela coisa e ele - o blog - virou uma extensão do que eu pensava na época. Fosse problemático ou não, acredite. E por tomar gosto, não me entenda mal, não é que me considere uma "blogueira" das boas, até porque para isso, acredito eu que é necessário preencher alguns quesitos que não sei se verdadeiramente não virariam lacunas na minha vida virtual. Isso pouco me importa, na verdade. Eu gosto de escrever e ponto (não um final). Disso não depende a minha vida financeira nem nada, então posso me dar ao luxo de escrever despreocupadamente, certo? E tenho feito. Quando dá e sempre sobre o que melhor me apraz. 
Como dizia eu, o Graphos no UOL não deu muito certo, assim como uma penca de gente também constatou na época. Então chegamos - sim, tenho alguns contatos no blog desde esse tempo, 2005 ou 2006, sei lá - ao Blogger. E aqui estou eu desde então.
Era tempo da minha leitura compenetrada em A Menina que Roubava Livros. E isso me inspirou a intitular o novo, nem tão novo assim, de Roubando Palavras.
Ora, já disse o saudoso Renato Russo: quais são as palavras que nunca são ditas? Partindo desse ponto, decidi que roubar palavras seria um termo adequado ao que todos fazem na vida, uma vez que verdadeiramente elas não são únicas ou "inéditas", não. Elas são palavras repetidas sempre. De um modo ou de outro. Para mim, somos submetidos a cada dia a uma "releitura eterna" de tudo, não só das palavras. Observo que as coisas estão sempre se repetindo num ciclo vicioso. Sem começo e sem fim. E a despeito disso incomodar algumas pessoas, eu gosto. 
Definitivamente, não sou simpatizante de mudanças. Não as vejo com amizade ou satisfação. Detesto. E não vou encobrir a minha razão real de evitá-las. Eu não vou dizer meia dúzia de palavras inúteis e bonitas só para não ser tachada de covarde. Não. Eu tenho medo, tenho receio, sempre. Simples assim. Não me ensinaram a ser receptiva para com elas. Eu gosto de rotinas, sinto segurança com isso, e não adianta me torcerem o nariz, aqueles que se veem aventureiros e abertos a coisas novas, porque isso não me atrai e nem me provoca inveja. Eu sou muito metódica. 
Porém, com o tempo, a experiência vai se alojando com mais calma, sem muita pressa e gente percebe muita coisa que antes não enxergava. E qual não foi o meu espanto em descobrir que apesar de todo esse meu medo da mudança em si, eu sempre acabei me adaptando, então ponto pra mim e nada pra ela. Contudo, não pensem que essa descoberta me deixou mais afeita a mudanças de qualquer tipo. Não. Ainda prefiro me abster da companhia dela. Mas conforme aquele ditado "nunca diga nunca", quem sabe haja esperanças para ela ser bem-vinda na minha vida, algum dia bem longe, de preferência. 
Agora, todo esse discurso, é só para explicar que em relação a coisas simples eu também reluto em mudar. E eu resisti bastante à ideia de mudar o nome do blog, mas acho que pelo menos simbolicamente é coerente. 
Primeiro, eu não tenho mais os mesmos pensamentos da roubadora de palavras e eu queria um nome mais curto já há algum tempo, algo mais objetivo, sabe? E aí pensei em títulos de livros, "Memórias do subsolo" foi um dos que me ocorreu, mas era igualmente grande e meio pessimista, sabe? Afinal, o autor não estava numa boa fase quando o escreveu. Mas ainda inspirada por esse, poderia ser Memórias de Rodapé, porém, ainda era grande. Notas de Rodapé, era grande e já existia. Aí pensei em algo sobre a palavra "linha", Entrelinhas, quem sabe. Já tinha algo do tipo. E então sublinhar, destacar palavras, algo do tipo. Aí me ocorreu sub linhas, e isso sequer existe de verdade, a menos que sejam sub-linhas de metrô ou algo assim. Ah, no Excel, também procedem as sub-linhas. De qualquer modo, implicitamente, Sub-linhas significaria aquilo que fica por trás ou por baixo do visível, significaria, algo meio despercebido, meio oculto e ao mesmo tempo, algo com destaque. Quando procurei por um blog assim, com esse nome e não tinha, fiquei toda feliz e agora apresento-lhes o novo nome do meu antigo blog: Sub-linhas. E sintam-se sublinhados por esta que vos escreve. 
(Como não queria perder meus contatos, ainda não mudei a URL, mas o próximo passo será esse.)

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Quantidade ou qualidade??

É, eu não escrevo muito ultimamente, mas espio meus blogs amigos, ou minha lista de blogs, como queiram. E é engraçado ver a evolução (ou involução?!). Já faz um tempo considerável que ando por aqui. Às vezes assídua (anos assídua) e às vezes nem tanto (depois da maternidade principalmente), mas enfim, por aqui. E como mudam ao longo do tempo. Receio porém que só os mais ausentes é que percebam isso. E os relatos são tantos. Meus textos em rascunho também. Muitos sem publicar. Não achei que estavam prontos. A hora deles chegará (soou quase como uma ameaça). Mas cada um tem sua riqueza, mesmo em meio às pausas. Somente acho meio patético o bom e velho "passa lá no meu blog", como se um grande número de visitas ou comentários conferisse mais valor ao blog do(a) patético(a) em questão. Parece que isso não muda nunca. Mas é assim pelo mundo todo - em sua grande maioria - as pessoas confundem quantidade com qualidade. É uma coisa meio que "capitalista"?? Sei lá, mas sei que não penso assim. Prefiro a qualidade. 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Coisa de Criança

Programas infantis de televisão. Ultimamente me tenho ligado muito a eles - imagine o porquê. E descubro, ou melhor, recordo-me de como eles são instrutivos em sua grande maioria. Ah se todos os adultos conseguissem captar um terço do que é ensinado lá, mas a maioria simplesmente não se dá conta, afinal é coisa de criança e coisa de criança é sem importância(??). Muitos acham isso. Eu é que não vou alertar para o contrário, afinal, eles (sempre) têm coisas mais importantes a pensar e esqueceram, faz tempo, que foram crianças. Que pena. Eu não me esqueço.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Sem título :)


Muita coisa. Pouco tempo. Muita risada. Poucas noites de sono completas. Muitas palavrinhas novas. Sons novos. Barulhinho bom, como disse Marisa. Adoro tudo, menos as birras. Pois é. Ninguém escapa, nem os bebês fofinhos da Anne Guedes e muito menos os meus - não menos fofinhos, claro.
Asseguro, no entanto, que elas podem ser evitadas. E digo mais, na maioria das vezes. É só descobrir qual é a causa. Sempre tem uma causa. Podem ter dormido pouco, comido pouco ou estar sentindo alguma coisa diferente mesmo, algum "dodói".
No caso do meu maiorzinho - tadinho, foi elevado a esse posto tão cedo...rs - ele quase sempre fica irritado se estiver com sono. No caso do menor e, portanto com maior número de dobrinhas, ainda são muito contornáveis as tais birras, massssss não inexistentes. A carreira começa cedo...
Já dá para perceber o temperamento dos dois. Eles são diferentes e é isso que mais me encanta. Eles são muito mais do que eu imaginaria merecer. E sou grata a Deus e à vida por me terem dado preciosidades assim para cuidar, para ensinar o que eu puder. Posso dizer que particularmente, para mim, é um grande aprendizado e que a maternidade me fez melhorar muito como pessoa.
A coisa tá ficando melosa, então melhor eu ir - que não sou muito fã dessas coisas...rs...
Fui! (mas volto)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Viva!

Canal Viva. Isso me tem rendido muita nostalgia. Eu vejo coisas que me lembram a infância. Programas interessantes. Programas que nem sonhava em ver, simplesmente porque era criança demais. E naquele tempo - de infância - as coisas eram tão diferentes. As brincadeiras, a disciplina, o humor, as regras. 
Eu vejo diálogos que hoje em dia seriam inimagináveis, seriam condenáveis até, e tudo por "depreciarem" a imagem do outro, por denotarem atitudes ou intenções racistas de acordo com os atuais preceitos.
Mas os tempos mudaram. E eu me pergunto se havia mesmo uma nota racista nas entrelinhas de tais palavras ou será que hoje em dia, exagera-se muito nesse aspecto? Não sei. Sei que generalizar não é uma atitude inteligente. Sou fã do equilíbrio. Nem tanto e nem tão pouco. 
Contudo, acredito que muita coisa boa se perdeu pelo tempo. O imediatismo foi responsável por algumas coisas. A velocidade de informação também. Hoje em dia, a superficialidade é mais presente. Todo mundo sabe de tudo um pouco, mas pouca gente se preocupa em se aprofundar em algo, afinal, não se tem tempo. E segundo as regras atuais, tempo é dinheiro, literalmente. 
A qualidade ficou subjugada pela quantidade. Produções em série são mais lucrativas do que a singularidade. Bom, mas a modernidade também trouxe coisas boas. Importantes e por vezes, facilitadoras. Tudo tem seu lado bom e seu lado mau, resta-nos somente avaliar se antes ou agora se tem mais ou menos vantagens. Era mais fácil de levar a vida antes ou agora?? Eu não sei direito, mas ando pensando nisso. Eu só sei que muitas pessoas parecem gritar em uníssono "viva a superficialidade!" E isso tem me incomodado um pouco, mas nem só do que eu gosto é feito o mundo, né? E eu desejo fervorosamente que esse panorama mude. Acredito piamente que as relações cresceriam em qualidade e beleza. E não só as interpessoais. Na minha concepção, essa urgência é prejudicial. Mas há quem seja um franco apreciador de tudo isso. E talvez seja a grande maioria. Eles não têm tempo...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Daiel

Daiel. É como Gui pronuncia o nome do irmãozinho (Daniel). Minhas Três Letrinhas 1 e 2 têm se dado muito bem.  Definiria de forma rápida e sucinta minha rotina atual com a palavra "puxada". Porém, devo dizer que a despeito do cansaço, tem sido cheia de alegria. 
Na última vez que escrevi foi para comunicar minha segunda gravidez. Surpresa total. E devo dizer que ainda continua me surpreendendo. O meu bebê nasceu em 24 de outubro passado. Tinha sido programado para o dia 25, mas ele resolveu aparecer antes. Aliás, se tem uma coisa que ele adora fazer é chegar antes da hora prevista...rs
Nasceu com 3,475 kg e 49 cm. Foi tudo bem. Minha bolsa rompeu e eu fui à maternidade. Assim como na primeira vez. Tudo certo. 
Mas eu me perguntava como daria conta dos dois, sim, porque seriam dois bebês a partir daquele momento. Um maiorzinho e um recém-nascido. A diferença entre eles é de 1 ano e cinco meses. Não posso dizer que isso não me preocupou. Até procurei alguém que pudesse me ajudar com as tarefas domésticas, sabe? Mas sempre dava errado, até que chegou o dia de parir e nada! Bom, aí depois - como que para contrariar - apareceram três pessoas de uma só vez. Resolvi não querer mais. Arrisquei. Tenho alguém que me ajuda uma vez por semana - faxina. E tenho uma pessoa que se encarrega das roupas mais "pesadas", digamos assim. Hoje em dia, com o advento das lavadoras de roupa, lavar, não é problema, mas colocá-las pra secar nos ap(e)artamentos, complica, né? 
Bom, mas deixando os "memoráveis" detalhes de lado, falemos do meu bebezinho. Tranquilo. Dorme bem, mama bem. O trabalho que dá é o mínimo possível. É apenas o inevitável para um bebê da idade dele - agora com 2 meses e meio. Ele já dorme entre 7 e 9 horas seguidas à noite. Já houve alguns episódios isolados em que ele dormiu 12 horas certinhas, mas não se repetem com frequência. É risonho demais e o maiorzinho adora babar, digo, beijar a cabecinha dele... é um tal de Daiel pra cá e pra lá... é muito fofinho. 
Posso dizer na minha primeira postagem de 2012 que está tudo bem, que estou feliz demais com meus dois amores. E que pelo menos por enquanto, dei conta sim. Estou cuidando dos dois. 
No momento, parei o resto da vida. Virei mãe em tempo integral. Isso não me aborrece. Não me preocupa. Afinal, tenho o resto da minha vida - espero que ainda falte muito para o final...rs - para as outras coisas que no momento estão meio relegadas a um plano inferior ao primeiro, como trabalhar, por exemplo. Em contrapartida, meus pitocos, só serão bebês por agora. Isso é o que me importa. Acompanhar tudo em primeira mão. Os momentos são únicos. Singulares. E não voltarão. Essa é a beleza da coisa. 
Termino aqui desejando um 2012 cheio de coisas lindas, maravilhosas, mas que sempre nos ajudem a crescer emocionalmente e de todas as formas possíveis e necessárias para cada um de nós melhorar enquanto ser humano.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Três Letrinhas - parte II

Amamentação. É a melhor coisa que já fiz pelo meu neném desde que ele nasceu. Aos desinteressados por esse tema, calma. Não, não vou fazer um texto-campanha a respeito do assunto. É só para registrar e comunicar uma coisa: minha segunda gravidez. Pois é, em pouco tempo e meio inesperada também, mas não indesejada. Ela apareceu um pouco antes do previsto e uma parcela de culpa cabe à maravilhosa e perseverante arte de dar o peito ao Três Letrinhas - Gui.
Quem já fez uso disso por aqui (fornecer leite materno) deve saber que em geral, aquelas coisas que tanto aborrecem as mulheres mensalmente deixam de acontecer por um período mais prolongado do que com as mulheres que não amamentam. Pois é, os ciclos menstruais, as cólicas, tpms e talz sumiram da minha vida desde que engravidei pela primeira vez. E assim, fica fácil gerar outro bebê de forma, digamos assim, despercebida (?!).
Pois é, só me dei conta aos quase cinco meses da nova gravidez. E a barriga?? Meio saliente, mas achava que era por conta de não ter recuperado minha antiga forma ainda, visto que antes da gravidez pesava eu 48 quilinhos distribuídos (não sei se bem o ou mal) na altura de 1, 62m... E eu, que em 8 meses pós-parto estava com 49, achei razoável, né?? E sempre me disseram que a segunda barriga é maior e coisas assim, bom, comigo nada. Difícil desconfiar. Mas o fato é que quando o Três letrinhas completou nove meses, já estava eu dentro da prenhez novamente (e de forma inocente)...
Está tudo bem, o segundo bebê é para o próximo outubro e fico feliz em proporcionar um irmãozinho (sim, é um outro rapazinho) ao meu Gui. E que venha tão charmosinho quanto ele. Os primeiros meses, em especial o primeiro trimestre, serão meio puxados, mas sei que dou conta. Eu sempre dou, aliás. Então, Daniel (Dan, para os íntimos...rs), seja muito bem-vindo!!!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Não é sua culpa, tempo...

Não. Dessa vez, não culpo o tempo. Não digo com isso que ele ande abundante, no que diz respeito a "tempo livre". Mas eu teria dado um jeito, se quisesse mesmo. Andei meio sem coragem de escrever, na verdade. Cansada da palavra escrita. Mas acredito que isso acontece em todo relacionamento. O tédio vem e volta. Sempre existem os altos e baixos. Se for um bom relacionamento, como acredito que seja o nosso (meu e das palavras), os baixos nunca serão muito baixos. Nunca beirando o subsolo. A prova é que estamos cá de volta. Reatando nossa relação.
Andei pensando (aliás, faço isso muito mais do que gostaria) em como anda vazio certo aspecto da vida virtual. Sei lá... as coisas evoluem rápido demais. As coisas são muito voláteis nesse meio. Nem bem você experimenta uma nova coisa (que não será nova por muito tempo) e já aparece outra, mais requintada e mais avançada. Talvez isso desfaça parte do encanto das descobertas. Talvez não e eu esteja meio piegas após a maternidade. Pode ser. Como todo mundo sabe, eu não sou do tipo que impõe as opiniões. Pelo contrário, gosto de examiná-las bem e críticas sempre me foram bem vindas. Muitas vezes, isso nos abre horizontes inimagináveis e cheios de riqueza. Então, para quê ficar me detendo a uma só opinião?! E ainda mais construída a partir de um ser pensante só(eu)?! O melhor é enriquecê-la com outras, acrescentar.
Agora, é preciso que me convença, porque segundo também me dizem, eu sou meio teimosa (?!). Bom, eu não acho (mas também dizem que os teimosos são como ou loucos, eles nunca sabem que o são), eu acho que é preciso saber argumentar com precisão e lógica. Só isso.
E lógica é algo que tem sido de pouca fartura por aqui nesse nosso mundo virtual. O que importa é a rapidez e a complexidade da coisa. Quanto mais complicado de se explicar, melhor.
E as notícias?! A velocidade com que se propagam?! Ganham de certos vírus. Esse negócio aí de casamento (sur)real ninguém deveria aguentar mais. Pelo amor de Deus. Eles divulgaram tudo. Os mínimos detalhes. A roupa íntima da princesa. O primeiro beijo em público. O significado de um suspiro mais forte. Até "leitura labial" já se sujeitaram a fazer. Não sei. Acho meio cansativo. E desgastante.
Ao mesmo tempo, trazendo para o âmbito da volatilidade de informções e evoluções, é meio contraditório que nos dias de hoje, aparentemente tão mecânicos, ainda haja tanto encanto por um casamento monárquico. Parece que no fundo, as pessoas ainda continuam acreditando em príncipes encantados. E a julgar pelo volume e repercussão das informções a respeito disso, não deve ser pouca gente que pertence a esse grupo não. Devo confessar que sempre desconfiei dos príncipes encantados e não ía ser agora que seria afetada por esse tipo de encanto. Cética, talvez. Desde a adolescência. Até agora, isso não mudou em nada.
Pois bem, cá estamos de novo caçando e roubando palavras. E talvez nem sempre as mais açucaradas ou adequadas, mas ainda assim, palavras, né??

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Tempo, mano velho

Perder tempo. Eis aí uma coisa que requer pouco esforço e que não integra apenas o meu rol de privilégios. Muito embora, devo confessar que isso não amortiza a minha dívida com o amigo tempo. Eu não me sinto aliviada por isso. E o tempo pode ser amigo (embora nem sempre o seja), desde que a gente aprenda a fazer uso dele de forma apropriada, ao menos. Infelizmente, demora até que o entendimento de que se está a usá-lo de forma incorreta, incoerente, desperdiçadora mesmo, apareça. E às vezes, os danos são irreversíveis.
Quem nunca perdeu tempo levante a mão. Não sei, mas desconfio que cada um faz isso, à sua maneira. Ele se esvai de nossas vidas frequentemente de modo equivocado e leviano. Ninguém é culpado disso. Pelo menos não intencionalmente. É meio involuntário. Faz parte da natureza.
Sonhos. Pensamentos. Sentimentos. Mas o pior mesmo é perder tempo com as pessoas. Ah sim, essa é a pior forma, a meu ver. Simplesmente pelo fato de que temos pouca ou nenhuma influência a respeito do que sente ou faz a outra pessoa. E fazer de uma pessoa o centro da própria vida, é no mínimo estupidez. É tolo.
É cada um por si. O que soa meio duro, mas é verdade.
Dedicar-se a alguém que não considera sequer o que você "investe" nela, é contraditório. E algumas pessoas simplesmente não percebem. E insistem. Como um refrão que ecoa no vazio. Ninguém ouve. Ninguém se dá conta. O som se perdeu. Ninguém aproveitou as possíveis melodias que ele  poderia trazer consigo.
O tempo não volta. Cada segundo é único e essa ideia sempre me angustiou um pouco. É tudo ímpar. E muita gente não nota. O bom mesmo é quando a gente encontra pessoas dispostas a compartilhar seu tempo conosco. Aí sim. Não se perde nada, apenas ganha-se, há soma e não subtrações que daqui a um tempo causem arrependimento ou amarguras. Esses são os amigos, os amores, aquela parte bonita da família. São os outros personagens do nosso filme, da nossa peça. E sem eles, tudo estaria desordenado e aleatório.
Usar o tempo da melhor maneira possível é um desafio que deveria se fazer presente em todo mundo. Mas às vezes, as pessoas se preocupam demais em não perder tempo com o essencial e desperdiçam tudo com uma rotina ressecada e sem sabor. E essas são as pessoas com maior prejuízo. Eu espero saber usar o meu antes que o meu prazo de validade expire.

Tempo, tempo, mano velho,
falta um tanto ainda, eu sei
Pra você correr macio
(Sobre o tempo - Pato Fu)





sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Perfeição

Quando acabam as comemorações de fim de ano, começam as alegrias rumo ao Carnaval. Eu não tenho nada contra, apesar de não ser lá muito fã da "festa" em si. Mas é que andei pensando e resolvi compartilhar com o meu estimado blog. Às vezes parece que as pessoas refugiam-se atrás das festas. Como um escudo, sei lá... Mas é que sempre tem que haver uma festa. Ou a iminência delas. E foi impossível não associar esse pensamento às palavras do bom e velho Renato Russo em Perfeição.
Posso estar sendo meio pessimista, sabe? Mas realmente não entendo o que tanto o povo comemora. Às vezes, me soa meio falso. Superficial, talvez fosse um termo mais apropriado. Alegrar-se é muio bom. Mas ainda acho meio despropositada essa coisa de permanente comemoração.
Na verdade, a mídia parece se "alegrar" mais com as catástrofes. Afinal, o telejornal estende-se. As notícias são abundantes. Ainda que seja a mesma numa espécie de "releitura".
O povo faz festa para esquecer as catástrofes que alegram a mídia e que nem por isso empobrecem mais os cofres públicos. Aliás, eles não são afetados por causa disso.
Vão aparecer ações solidárias (em sua grande maioria comandada pela própria sociedade) e depois fica tudo esquecido e apagado pelo Carnaval que está por vir. E viva o tempo que não para nunca. Às vezes parece que ninguém liga. Ou faz de conta que não liga. Sei lá. Mas o certo é que cada um deve ir levando a sua vida. Tendo tragedias ou não. Bola pra frente. Às vezes, parece meio cruel, mas a realidade é essa.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Em câmera lenta

Se a vida fosse em câmera lenta, a gente perceberia melhor os detalhes. Talvez fosse bom...

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2010 x 2011

Pra ser sincera, o Natal não me atrai e a perspectiva de um novo ano me deixa apreensiva (?!). Podem algumas pessoas me tacharem de esquisita, antissocial, ansiosa, sem coração... sei lá. Aham, já ouvi essas coisas por aí. E não ligo. O Natal perdeu o sentido há tempo e isso me cansa. O capitalismo absorveu e adulterou o verdadeiro significado. E essa foi a mais enfadonha das coisas que envolvem o Natal contemporâneo...
E sobre o novo ano... bem, há que sempre se fazer conjecturas, reflexões e tal. Inevitável, eu diria. Eu escuto muita gente dizer que o ano foi bom ou ruim, mas eu sempre tive um pouco de dificuldade de descobrir isso. Um ano. Um ciclo. Eu acho que todos têm coisas positivas e negativas. Amadurecedoras. Engrandecedoras. Alegres. Tristes. Angustiantes. Momentos sem importância. Dormir, acordar. Coisas de sempre. Algumas trazem até euforia.
E daí?! A partir de meia-noite começa tudo de novo. Tudo igual, mas um pouco diferente (será?). E é isso que eu penso sempre que fico apreensiva. Pessoas vão, pessoas vêm. Nascem e morrem. Não dá pra evitar. Por isso acho tão complicado resumir numa palavra só: bom ou ruim. Eu nunca soube dizer assim, na lata. Talvez eu seja muito subjetiva nesse caso. Quem sabe?!
2010, como todos os outros, foi cheio de acontecimentos. Tragedias naturais, como o caso do Haiti. Em contrapartida, o resgate no Chile (um milagre mesmo). Por aqui, perdi gente importante. Gente que nunca vou esquecer e que vai viver pra sempre no meu coração (até que ele pare de bater, claro). Isso me trouxe angústia e sofrimento, mas houve também um grande presente, ganhei algo de muito precioso e que amenizou sim, as minhas perdas e o meu "mal-do-século" particular. Afinal, ser mãe é surpreendente de muitas maneiras.
Então, 2010, não sei o que dizer quando me perguntam, se foi um bom ano ou não... acho que não posso ser tão sucinta assim. Agora só posso mesmo me render ao tempo e esperar pra ver que acontecimentos me reserva o 2011.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Ninguém tem nada com isso

Já disse Quintana: O pior dos nossos problemas é que ninguém tem nada com isso. Eu sempre enxerguei inúmeros significados para essa frase. Implícitos. Ela abrange muita coisa. Inclusive aborda os "limites" da solidariedade humana. Sim, ela existe. E eu a conheço bem de perto. Vejo muita gente solidária, que tem empatia pelo outro, pela dor alheia. Enfim, gente boa. Gente que se importa com os outros.
Mas ninguém vive a dor no lugar do outro. Ninguém. Cada dor é única, assim como as nossas digitais. Ninguém sente igual, sangra igual. Cada um tem sua intensidade e expressão próprias. É a identidade pessoal do sofrimento. E a isso não cabem julgamentos. Aliás, odeio os julgamentos, principalmente aqueles que são pré-formulados, com base em ambiguidades. Como o luto.
O luto é inexplicável para mim. O Aurélio diz tão pouco. Entre seus dizeres, havia "consternação". Não, não. É algo muito mais abrangente do que apenas a dor pela perda. Recruta consigo muitas outras coisas. Grandes, pequenas, imensuráveis. Coisas que se unem, que se separam. Coisas que dependem umas das outras, interligadas. Uma verdadeira rede.
E é tempo de luto pra mim. E luto sempre traz muitas lembranças, muitas coisas vêm à tona. Coisas esquecidas, coisas antigas. Aquelas bem do fundo do baú da alma. E junto com a usual tristeza, traz arrependimento para alguns, amarguras, abre feridas adormecidas. E de nada adianta. Não adianta remoer, especular, se debulhar em lágrimas ou até mesmo querer deixar de viver. Não traz de volta quem se foi. Apenas pode trazer um pouco de alívio à dor, mas sequer a extingue. Serve somente para atenuar o coração que chora (às vezes)...
Em mim, o luto tem um efeito de reclusão junto aos meus pensamentos. E eles divagam muito, mas sempre me pergunto sobre as verdadeiras razões da existência. É inevitável.
A única certeza é a morte. Mas ninguém compreende e nem aceita. Ninguém fica esperando alegremente. Ela é completamente "desacreditada". Ninguém quer vê-la. E na verdade, é sempre uma surpresa. Sempre. Ainda mais quando ela se repete em tão pouco tempo. Uma pena.

"E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu." *Eclesiastes 12:7*