quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Abruptamente (?!)

Tanta coisa por fazer. Tantos compromissos a cumprir. Tanta gente pra visitar. Tanto trabalho por concluir. Tantos desafetos para resolver. Tantas alegrias para viver. Tanto amor para dar... Até que ela apareça. E quase sempre sem avisar. Abruptamente. Não deveria ser tão inesperada assim, mas sempre é. Sempre temos a tola esperança de que há um modo de escapar dela.
Mas ela sequer pede licença. Não se incomoda com as formalidades do mundo. E não faz distinção alguma.
Dessa vez, ela veio durante o sono. Foi tranquila, mas não menos perturbadora. Não menos dolorosa. Não adianta. Sempre dói muito.
Deixa lacunas que não mais serão preenchidas. Deixa lembranças. E ironicamente os que distribuíram mais afeto e beleza, são os que deixam os maiores rastros de dor. Essas coisas fazem parte do “kit” da morte. E ninguém escapa.
Cada vez eu entendo menos. E cada vez eu percebo mais que nunca estarei preparada para ela. E não adianta dizer “heróica e bravamente” que não se teme a própria morte. Eu também não temo. Mas aí talvez esteja uma grande prova de covardia e egoísmo, porque sofre mais quem continua aqui na completa ignorância. Ninguém sabe o que há por trás da morte. Especula-se muito. Cada crença tem uma filosofia. Mas saber de verdade, ninguém sabe. Não tem como saber.
Quem fica, vê também que a vida continua apesar de tudo isso. Que amanhecerá um novo dia, como sempre. As pessoas ainda sorriem e se alegram. E as ruas estarão cheias de gente como antes. Está tudo igual. É como se aquilo não tivesse importância... aquela ausência não significa muito para o andamento do mundo.
O tempo não dá trégua, não faz pausas e é esse mesmo tempo que traz a cura, que traz consolo e alívio. Mas não sei bem se isso faz dele um vilão ou um mocinho... porque em breve essa ausência causadora de tantos lamentos será somente uma lembrança.
Outras vidas começam. Outras coisas acontecem. Novas alegrias surgem. E tudo vai se renovando aos poucos, até que um dia, talvez o motivo de todas essas lágrimas derramadas seja esquecido.
Eu não entendo muito bem, e tampouco gosto dessa idéia, mas sei que é assim. Sempre é assim. A morte, o tempo e o esquecimento são aliados fiéis. E eu não sei se isso é bom ou mau. Só sei que estou cansada.

*escrevi como uma espécie de homenagem ao meu tio tão querido, mas que se foi de forma tão brusca, levando consigo tantas idéias erradas*

20 comentários:

  1. Ninguém supera a morte, como comentei uma vez no blog da minha amiga, o tempo só tira do centro das atenções o que jamais sera esquecido...
    Mas a vida não para, e isso sim é bom, não pode parar!

    Beijoss

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  2. A morte é realmente uma coisa terrível. O que de pior pode acontecer. Perder uma pessoa que se ama, isso nunca deveria acontecer!
    E ter que ter forças para continuar.. Lembrar sempre daquela frase:
    Os ventos que tiram algo que amamos são os mesmos que trazem algo que aprendemos a amar.
    E assim, a vida segue.
    ;D
    Bjoss

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  3. É isso aí Dora,a vida continua e sempre nos colocando a provas,às vezes dificeis.
    Bjs no seu coração!!!

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  4. sabe, eu vou responder em relação ao comentário do meu post. Não apenas no natal, mas nos dias das crianças acontece a mesma coisa, estava sentado hoje conversando com uns garotos mais novos de onde eu moro falando uma coisa mais ou menos relacionada sobre esse assunto... sentamos em uma roda para falar sobre boas ações, meio que um momento de se abrir, eu chamo isso de ajuda espiritual. estava falando que muitas vezes sentamos lá para falar que pecamos, quando sairmos daquele momento voltamos a ser os monstros que somos...

    Meio que ir para uma igreja, se confessar voltar para casa é cometer os mesmos pecados para na próxima semana voltar e fazer a mesma coisa.

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  5. eu uma vez tive uma aula de filosofia que queria dizer sobre.

    O TEMPO É O SENHOR DO NOSSO DESTINO.

    uma vez eu vi uma carta para a morte...

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  6. Eu sei que determinada rua que eu já passei
    Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
    Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
    E que nunca mais eu vou abrir.
    Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
    Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
    A morte, surda, caminha ao meu lado
    E eu não sei em que esquina ela vai me beijar


    Com que rosto ela virá?
    Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
    Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
    Na música que eu deixei para compor amanhã?
    Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
    Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
    E que está em algum lugar me esperando
    Embora eu ainda não a conheça?


    Oh morte, tu que és tão forte,
    Que matas o gato, o rato e o homem.
    Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
    Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
    E que a erva alimente outro homem como eu
    Porque eu continuarei neste homem,
    Nos meus filhos, na palavra rude
    Que eu disse para alguém que não gostava
    E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite...

    Vou te encontrar vestida de cetim,
    Pois em qualquer lugar esperas só por mim
    E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
    Vem, mas demore a chegar.
    Eu te detesto e amo morte, morte, morte
    Que talvez seja o segredo desta vida
    Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida

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  7. Olá Dorinha, obrigada pela preocupação.. me senti tão útil..

    Post triste não :(

    Um dia desses um "menino" entrou no meu blog e disse: "lindo, porem pouco pratico".

    Acho que isso descreve a morte. Podemos dizer coisas lindas, mas é um pouco inutil se pensar sobre ela. É inevitavel ninguem escapa.

    É tao inutil quanto eu pensar em mudar o mundo :(

    Homens, eu amo a racionalidade deles.

    Meu marido diz: viuvo é aquele que parte, pq quem fica, a vida segue.

    E é um pouco de egoismo da gente querer que o mundo pare, pq alguem se foi, é um ciclo necessario. E cada um acredita naquilo que melhor diminui a sua dor.

    :( Bjooo

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  8. Dorinhaaaaaaa...

    Eu vou virar uma sapa!!!

    Não para de chover..

    Será que combina Baratinha com uma Sapinha?...

    :(

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  9. Oi, Dora!
    Por mais que tentemos nos convencer que a morte é a única certeza da vida, que dela ninguém escapa, nenhuma pessoa está preparada para ela. A certeza do "nunca mais" dói e não há remédio para cura. O tempo cicatriza, mas ela sempre estará lá.
    Não há palavras de consolo nesse momento. Pedimos para terem força, mas isso só com o tempo.
    Eu não tenho medo da minha morte. Mas terei quando estiver em frente a ela. Sempre tem muita coisa a ser feita aqui...
    Beijos

    PS: Comentei também no post anterior.

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  10. Eu não gosto de falar nesse assunto justamente pq não sei lhe dar com a perda de alguém.
    Não sei perder, nem perder alguma coisa, nem alguém.
    Ainda mais perder pra morte que alguém irremediável.

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  11. Dora, esse é um assunto incômodo demais p mim. Eu não sei lidar com isso. Nem com a minha nem com a dos outros. Sempre fico muito abalada e com muita raiva da morte
    :/
    BeijoO*

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  12. O único aliado da morte é o tempo... Que nos ajuda a conviver melhor com a dor, porque a dor da perda de alguém dificilmente vai embora definitivamente, não importa o tempo que passe.
    Também acho que ninguém está preparado para a morte, porque sabemos que é o fim... E fica difícil de lembrar que pode ser um começo, um recomeço...
    Bjitos!

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  13. Dora, querida, quem faleceu?
    :(

    precisando de qlqer coisa é só me procurar, viu?
    ;******
    se cuida!

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  14. Pois eu também não sei lidar com ela. E não quero falar dela. Deixa isto para a terapia...
    Então te deixo um beijo e minha solidariedade. Que você fique bem, dentro do possível, claro.

    Bjão

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  15. Dorinhaaaaaaaaaa..

    Ajuda a divulgar a ONG VIVA BICHO.. afinal como vc sendo uma Baratinha..deve se preocupar com isso tbm..

    O cheiro..onde tu anda..? Hein??

    Bjoooooo

    Ahh e um cheirooo..rsrs..

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  16. *Dorinha - Baratinha - Fofinha*...

    Humm, imaginei que seu computa ainda estivesse a lhe dar um pouco de trabalho, parece com a dona, meio rebelde, ele precisa de férias, pobre coitado!...

    Aquele dia, eu esperei um pouco, ai vc não apareceu, ai eu sai.. e quando voltei, pimba! Faltou luz por uma meia hora.. e acabei dormindo depois e fiquei com preguiça de ligar a parafernalha toda! (rsrs!)

    Mas eu ainda te espero para te dar conselhos que só eu sei dar, mas espero que não os siga a risca..rsrs...

    Ahhh óoo! Já vinha me esquecendo o que me trouxe ao seu bloguinho cor de rosa..fiz um desafio musical no Blog.. e tu foi uma das que eu lembrei..rsrs! Mas como eu lembrei agora que o teu rebelde sem causa ainda ta em reformas, sinta-se a vontade se não quiser fazer, euzinha entendo tudo..

    Fico por cá, esse final de semana eu vou entrar pra resolver o nosso assunto..rsrs, Bjoooooo...

    Ahh e eu não posso esquecer o cheiro ne dorinha?

    rsrs

    Um cheiroooooooo..

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  17. eu estava procurando e achei uma fala d'O Alto da Compadecida:

    "Chicó: – João! João! João! Ai meu deus! Morreu o pobre de João grilo, um amarelo tão safado, morrer assim... O que eu faço no mundo sem João? João?!
    Não tem mais jeito, João Grilo morreu.

    Acabou-se o grilo mais inteligente do mundo. Cumpriu sua sentença, encontrou-se com o único mal irremediável. Aquilo que é a marca de nosso estranho destino sobre a terra. Aquele fato sem explicação. Que iguala tudo que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo que é vivo, morre."

    Um beijo Dora.

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  18. Dorinhaa....

    Ainda não arrumou esse troço ai não??

    Fica de conversas no msn é isso que da..KKK

    (falta aquela exagerada que gargalha de pernas para o alto aqui!)..

    To te esperando de volta a vida blogueira, viu??

    Bjooo

    Cheirooo (um urso que abraça e saltita corações!)..rsrs

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