Sempre achei fascinante a "filosofia" dos epitáfios. Aí está um texto que tem tudo o que eu gostaria que ficasse no meu epitáfio. Talvez alguém ache meio macabro pensar em epitáfios, mas a morte em si tem um quê de macabrismo que não se pode ignorar, porque é inevitável e é somente uma questão de tempo."Três paixões, simples mas irresistivelmente fortes, governaram minha vida: o desejo imenso do amor, a procura do conhecimento e a insuportável compaixão pelo sofrimento da humanidade. Essas paixões, como os fortes ventos, levaram-me de um lado para outro, em caminhos caprichosos, para além de um profundo oceano de angústias, chegando à beira do verdadeiro desespero.
Primeiro busquei o amor, que traz o êxtase – êxtase tão grande que sacrificaria o resto da minha vida por umas poucas horas dessa alegria. Procurei-o também porque abranda a solidão – aquela terrível solidão em que uma consciência horrorizada observa, da margem do mundo, o insondável e frio abismo sem vida. Procurei-o finalmente, porque na união do amor vi, em mística miniatura, a visão prefigurada do paraíso que santos e poetas imaginaram. Isso foi o que procurei e, embora pudesse parecer bom demais para a vida humana, foi o que encontrei.
Com igual paixão busquei o conhecimento. Desejei compreender os corações dos homens. Desejei saber por que as estrelas brilham. E tentei aprender a força pitagórica pela qual o número se mantém acima do fluxo. Um pouco disso, não muito, encontrei.
Amor e conhecimento, até onde foram possíveis, conduziram-me aos caminhos do paraíso. Mas a compaixão sempre me trouxe de volta à Terra. Ecos de grito de dor reverberam em meu coração. Crianças famintas, vítimas torturadas por opressores, velhos desprotegidos – odiosa carga para seus filhos – e o mundo inteiro de solidão, pobreza e dor transformaram em arremedo o que a vida humana poderia ser. Anseio ardentemente aliviar o mal, mas não posso, e também sofro.
Isso foi a minha vida. Achei-a digna de ser vivida e vivê-la-ia de novo com a maior alegria se a oportunidade me fosse oferecida."
*Bertrand Russel
Dó
ResponderExcluirNão gosto da idéia da morte, mas não posso negar que é uma idéia que precisamos ter sempre em mente, para viver uma vida mais plena. Por isso gosto de ler epitáfios. Um abraço!
William
Lindo, Dora!!
ResponderExcluirPerfeito!
Embora eu tenha uma certa dificuldade em lidar com o tema, achei brilhante!
Obrigada pelas palavras...de coração!
Beijo e ótima semana!
Dora, sinceramente, não acho macabro pensar na morte. Não tenho medo da minha morte. Pelo menos, não por agora, que não tenho filhos e ninguém para cuidar. Tenho medo da morte das pessoas queridas.
ResponderExcluirQuanto ao epitáfio, eu acho que todos nós deveríamos ter a oportunidade de escrever os nossos próprios.
Mas gostei desse texto. Se encaixaria no meu também. rsrs
Beijos
Nossa! Já conhecia esse texto e acho-o muito lindo! Belo post! Bjos!
ResponderExcluirOlá, Dora! Os epitáfios são interessantes mesmo. Este é uma boa escolha. Espero que o uso dele não seja necessário nem tão cedo, né?! Rs... rs... Gostaria de tomá-lo emprestado de você também.
ResponderExcluirBeijO.
Essa conversa sobre morte não me agrada, pra ser sincero. Mas como você diz, é inevitável. Sem dúvida seria um epitáfio memorável, mas não pensemos nisso agora.
ResponderExcluirBeijãozão.